Tiago Nunes está pressionado — mas não deveria.

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(Foto: NORBERTO DUARTE / AFP)

Lembro quando os primeiros rumores da chegada de Tiago Nunes começaram a aparecer entre portais de noticias. Finalmente alguém que chegaria para impor uma nova ideia de jogo e mudar a identidade de um Corinthians carente de ofensividade. Quando divulgado o acerto entre clube e técnico em novembro de 2019, a ideia foi abraçada por grande parte da torcida e da imprensa que já não aguentavam mais assistir uma partida igual, pobre e previsível. O ânimo e esperança de algo diferente tomou conta do ambiente de quem acompanha o futebol em Itaquera.

Entretanto, não entendam como ingratidão aos títulos, vitórias, trabalhos anteriores com ideias opostas às apresentadas por Tiago. Prefiro encarar como cansaço. A mesmice onipresente nas partidas e falta de alternativas é que cansaram.

O maior fato até agora é que o novo técnico alvinegro veio para apresentar uma filosofia nova. Filosofia que o consagrou campeão do Campeonato Paranaense (2018), Copa Sul-Americana (2018), Levain Cup (2019) e Copa do Brasil (2019) — ambos à frente do Athletico Parananse. Tal ideia proposta por Tiago requer tempo. Tempo que obviamente é maior do que três meses de trabalho.

“Vamos correr mais riscos, ser mais agressivos, mais atentos (…) o Corinthians aprendeu a sofrer nos últimos anos, não gosto de sofrer. Quero que o adversário sofra. Quero um time agressivo (…). Estamos tentando transformar esse clube gigantesco num clube mais contemporâneo. O Corinthians merece esse protagonismo. Mas isso requer tempo. É igual aprender um novo idioma.” — disse Tiago Nunes em entrevista coletiva no final de fevereiro.

Em três meses de trabalho, é perceptível as mudanças táticas e maior agressividade em campo. Até agora são 13 jogos no comando: 4 vitórias, 5 empates e 5 derrotas. É verdade que o time não se encontra confortável no Paulistão e que já deu adeus na Libertadores.

Aqui eu inicio minha jogada e explicação do titulo da coluna.

No cenário nacional é fato que o imediatismo de resultados pressiona e se faz maior do que a continuidade para um bom trabalho técnico. A politica desorganizada dentro dos clubes também é fator para essa tal pressão.

O Corinthians teve todas as oportunidades de se classificar direto para a Libertadores 2020. Não teve competência para isso. Deixou nas mãos de um novo técnico com nova ideia de jogo o passaporte para a fase de grupos. O estadual, que o clube ganhou (com muitos méritos) três vezes consecutivas, não figura o quadro de títulos importantes no contexto nacional. É interessante para testar a equipe para o resto da temporada, acertar escalação, definir as opções de elenco. Como um técnico conseguirá fazer isso sendo que a diretoria promete jogadores, mas falha com direito a vexame. Se fez interessado em Michel e Rony, e viu ambos irem para clubes do Brasil que souberam negociar. Contrata jogadores x que vemos sendo emprestado para clubes y para o resto da temporada. As incontáveis opções para a posição de volante, e em uma negociação com teor de desespero, trouxe Yony Gonzales do Benfica por cerca de 12 milhões de reais. Viu seu jogador mais técnico e mais promissor ser negociado para a Europa e tem um elenco curto, quase que sem protagonistas.

Enfim, o que esperar de uma diretoria que cede NOVE patrocínios para o uniforme?

O Corinthians merece alguém que pense grande.

Sinceramente, não espero que o Corinthians conquiste qualquer titulo esse ano. A mudança de filosofia da água para o vinho demanda tempo e apoio. Espero que haja esse tempo para que o trabalho do Tiago seja feito. Que o time se organize e que para a próxima temporada contemos com o mesmo treinador e que não se repita os mesmos erros dos dirigentes que — lamentavelmente — comandam um clube tão rico.

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