Dia 9 de dezembro de 2008. Era uma manhã de terça-feira que se desenrolava com tranquilidade. Porém, tudo mudou quando uma notícia “abalou” o mundo futebolístico. Por volta das 11 horas, o planeta acompanhava espantado as primeiras informações que davam conta: Ronaldo, após muitas dúvidas sobre sua verdadeira vontade e possibilidades físicas, voltaria aos gramados e, para surpresa geral, com a camisa do Sport Club Corinthians Paulista.

Não! Desde já quero deixar claro que não pretendo comparar a qualidade técnica do “gordo” – e tudo o que ele representa mercadologicamente – com os atributos apresentados pelo atacante argentino Mauro Boselli, que será oficializado pelo clube nessa segunda-feira. Há, entretanto, algo muito parecido no ar quando se faz um corte levando em conta, exclusivamente, o fato da contratação: o clima criado em toda a Fiel Torcida.

Mais do que a volta de um homem de área que coloque medo nos zagueiros, como visto com o Fenômeno, ou mesmo com Liédson e Jô, a contratação do “El Matador” fez brilhar os olhos da grande maioria dos torcedores, algo que não ocorria há mais de 10 anos. Nem Adriano e seus quilos a mais ou mesmo Pato e seus R$ 40 milhões, chegaram perto do que se vê agora, provando que não é a fama ou mesmo as cifras que determinam o “gostar” do bando de loucos.

Por desconhecidas razões, a torcida do Corinthians se identificou de cara com Boselli, seja pela absurda dificuldade de marcar gols dos que vestiram a camisa (Kazim, Roger e Jonathas) desde a saída do artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2017 – que foi embora consagrado, mas chegou totalmente desacreditado -; talvez pela busca incessante por um novo ídolo; ou mesmo pelos números espantosos de gols do argentino. Seja qual for o verdadeiro motivo é certo que, hoje, quase a totalidade dos torcedores resolveu abraçar o novo contratado e espera ser correspondido com muitos gols, algo, aliás, que Boselli faz com grande facilidade.

O atacante chega ao Parque São Jorge com 215 gols marcados em 480 jogos disputados na carreira, uma média de 0,45 por jogo. Jô, o último a dar alegrias a Fiel, não chega perto desses números, com 0,34 por jogo. Guerrero, marcado pelos gols importantes e a saída tumultuada, atingiu 0,41. Para entender o nível que o argentino atingiu, na década, sua média só é batida no clube por Ronaldo, que encerrou a sua passagem com 0,50.

Boselli, que foi revelado pelo Boca Juniors e defendeu o Estudiantes, além de passagens tímidas no Velho Continente, conquistou a Libertadores em ambos os sul-americanos, sendo artilheiro em 2009, com oito gols, um deles marcado na final contra o Cruzeiro, em um Mineirão lotado. No mesmo ano, balançou a rede na final do Mundial de Clubes, diante do Barcelona de Guardiola. Nos dois gols citados, usou a sua principal arma, a bola aérea. Forte, alto e bom finalizador na curta distância, Boselli é letal, algo mais do que necessário para a característica de jogo que impõe o técnico Carille, um dos mais entusiasmados com a chegada. O atacante também se destaca pela liderança e, internamente, é apontado como o sucessor do zagueiro Balbuena, que tinha muita influência sobre o elenco e, desde que partiu para terras inglesas, desfalcou os campos, mas, principalmente, os vestiários.

Claro, mesmo diante de todo esse positivismo instaurado nas arquibancadas, Boselli sofrerá a temida pressão caso a bola demore a entrar. Porém, ela será infinitamente inferior em comparação ao que sentiram e sentem até hoje os seus atuais companheiros de elenco. Isso porque, a Fiel voltou a confiar piamente no seu camisa 9 e fará de tudo para que o argentino faça história e vire ídolo no clube.

Coluna escrita por Turco, criador do @BastidoresSCCP no Twitter.

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