Corinthians e Flamengo pelo Brasileirão 2020
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Na tarde deste domingo (18), o Corinthians recebeu a maior goleada dentro de sua Arena. Foram 5 gols tomados por um Flamengo exímio. Mas a superioridade vai além das quatro linhas, os cariocas deram aula de gestão.

Enquanto o rubro-negro tentava se reestruturar financeiramente, em 2016, o Timão o goleava por 4 a 0 em Itaquera. Ano este em que o alvinegro teve incessantes contratações ruins e reposição de treinador mal feita — sair de Tite para Cristóvão Borges é tamanha irresponsabilidade com o clube.

Mais lidas da semana:
+ Casagrande critica Mancini e sai em defesa de Cássio: “Merece respeito”
+ Cássio desabafa após derrota para o Flamengo: ‘Estou sendo usado como escudo’

Porém, por conta da cultura infeliz em que o futebol nacional é submetido, a Fiel estava contente pelo resultado. E tinha que estar mesmo, 4 a 0 em cima de um rival interestadual é de se comemorar, mas o futuro estava escancarado na nossa frente.

2017 foi um ano fora da curva, certamente. Pelas complicações econômicas em que o Corinthians já passava à época, as contratações tiveram de ser enxugadas e feitas com mais planejamento. A diretoria optou por dar espaço à garotada da base e dar oportunidade a um treinador que conhece bem o DNA do clube.

Fábio Carille, por sua vez, conseguiu dois incríveis títulos naquele ano. No entanto, como a gestão corintiana flerta com o amadorismo, 2018 sucumbiu após as vendas de Guilherme Arana, Maycon, Jô, Rodriguinho, Pablo, Balbuena e até mesmo o Carille.

A base da equipe vencedora do Campeonato Brasileiro e do Paulistão de 2017 foi embora num estalar de dedos. Em comparação, o Flamengo mantinha um planejamento, trabalhava suas modalidades abaixo do profissional e conquistava o vice-campeonato nacional, consequentemente engordando o caixa em razão da classificação à Libertadores.

Como a reestruturação dos cariocas obteve sucesso, bastava a projeção de um grupo vencedor. Foram anos de resultados ruins, vice-campeonatos — 1 da Sul-Americana e 2 do Brasileirão — e aguentando sarro dos rivais. Mas, enfim veio 2019 e recordes foram quebrados.

E, pelo segundo ano consecutivo, a diretoria flamenguista manteve a competitividade. Na metade desta temporada, perdeu o Jorge Jesus ao Benfica e recompôs o comando técnico à altura, sem perder o norte e a referência do estilo de jogo.

O Corinthians, vítima da incompetência nos cargos maiores, coleciona resultados ruins e coadjuvação nos torneios. Em 3 anos, o Timão trocou de treinador oito vezes. Carille (2x), Ormar Loss, Jair Ventura, Dyego Coelho (2x), Tiago Nunes e Vagner Mancini.

Técnicos que enxergam o futebol de maneira antagônica. Carille é apaixonado pela compactação defensiva, Tiago Nunes ama ofensividade e envolver o adversário. Planejamento não tem, administração financeira inexiste, o futebol em Itaquera segue sendo tratado como um mero entretenimento.

No começo da década passada, o Corinthians conquistava o sonho de construir seu estádio — sendo campeão do continente na Saudosa Maloca —, e o Fla entendia que, para voltar a protagonizar no país, as dívidas teriam de ser pagas. O resultado nós observamos hoje. Este 5 a 1 diz muitas coisas.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do SCCP Online

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui