Notificado extrajudicialmente pela Caixa Econômica Federal em relação à dívida da construção da Arena Corinthians, o Corinthians suspenderá pagamentos das parcelas e deverá sair beneficiado da execução anunciada pela instituição financeira.

Em teoria, a Caixa deveria estar resguardada por garantias que pudessem ser executadas – em outras palavras, que pudessem ser usadas em caso de inadimplência reincidente para recuperar o dinheiro investido. Na prática, as garantias que compõem o empréstimo têm pouco ou nenhum valor para o banco.

A principal garantia é um acordo com nome em inglês, equity support agreement, que leva a sigla ESA. Este tipo costuma ser muito usado em negócios nos Estados Unidos e ainda foi pouco testado no Brasil. A Odebrecht, que concedeu o ESA, comprometeu-se a garantir com o próprio caixa toda a dívida caso o dia da execução chegasse.

O problema é que o dia da execução aparentemente chegou, mas o ESA perdeu valor. A Odebrecht passa por severos problemas financeiros e entrou em recuperação judicial, processo que lhe dá salvo-conduto para operar sem penhoras, bloqueios ou execuções por seis meses, enquanto formula um plano de repactuação com credores.

A pergunta-chave desta história é: em vez de continuar recebendo as parcelas do financiamento, por que a Caixa decidiu judicializar o confronto com o Corinthians ao executar garantias que não têm valor prático?

Também foram dados como garantia terrenos de propriedade do Corinthians no Parque São Jorge. Que também são inviáveis de executar. A Caixa precisaria entrar num longo processo de leilão desses terrenos, custoso e demorado, ainda por cima conturbado por se tratar de futebol.

A notificação extrajudicial deverá ter a consequência contrária em relação ao que se espera de uma execução de dívida. Na nota oficial que publicou em resposta à notificação, publicada primeiro pelo colunista Lauro Jardim no jornal O Globo, o Corinthians já afirmou que defenderá seus direitos na Justiça. Enquanto aguarda, não pagará nada.

O empréstimo fez parte do programa de construções e reformas de estádios para a Copa do Mundo de 2014. Corinthians e Odebrecht receberam do BNDES o crédito de R$ 400 milhões, que tem a Caixa como agente financeira. Após R$ 175 milhões pagos desde então, por causa de juros e correções, esta dívida hoje está em R$ 487 milhões.

1 COMENTÁRIO

  1. só espero que resolvam todo esse embrólio, e respeitem a intituição Corinthians e seus torcedores, a Caixa economica tem que dar graças a Deus que o Corinthians estava pagando, mesmo que se ocorresse atrazo de vez em quando, o que me parece normal se tratando da situação financeira que atravessa o Brasil , além do mais que a Caixa vai sair ganhando sim, basta olhar para os números abusivos dos juros que foram colocados!

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