Houve um tempo em que o CIFUT (Centro de Inteligência do Futebol) tinha papel central nas decisões do Corinthians, e o clube propagava com orgulho ser um dos pioneiros na análise de desempenho no Brasil. Porém, de alguns anos para cá, o departamento perdeu espaço e relevância, fato que surpreendeu negativamente o técnico Tiago Nunes em sua chegada ao Timão.

Para Tiago Nunes, o CIFUT estava muito abaixo do que pode produzir. Junto de seus auxiliares, o treinador avaliou que não havia uma linha de ação definida, nem integração entre o time profissional e as demais categorias. A insatisfação, que já tinha sido comunicada internamente, foi externada pelo treinador em entrevista ao “Bandsports”, na última terça-feira:

– Essa mudança de filosofia que eu tenho falado tantas vezes também implica na mudança de filosofia do tipo de trabalho que vem sendo desenvolvido nos outros departamentos técnicos. Departamento de fisiologia, de preparação física e o CIFUT, que a gente chegou ali e, infelizmente, estava sucateado em relação a informações e também a muitas questões que a gente vinha precisando –disse o treinador.

Ao falar em sucateamento, Tiago Nunes não se queixa de falta de equipamentos ou más condições estruturais. A avaliação do técnico é que o Corinthians tem boas ferramentas, mas elas eram subutilizadas pela falta de uma liderança. Além disso, os analistas do CIFUT não tinham atribuições bem definidas, no entendimento dele.

Ao chegar ao Timão, Tiago Nunes levou consigo o analista Pedro Sotero, que tem a missão de reestruturar o CIFUT. A ideia deles é que o departamento, além de alimentar a equipe profissional com dados e informações, monitore o mercado de atletas e participe da criação de um modelo de jogo.

De acordo com relatos ouvidos pela reportagem do GloboEsporte.com, o CIFUT passou a ter menos relevância com a saída do gerente Edu Gaspar, em 2016. No últimos anos, o departamento tem sido pouco consultado para a contratação de jogadores, que na maioria das vezes são indicados pelos técnicos ou oferecidos por empresários e, então, analisados pela diretoria. As viagens para ver de perto possíveis reforços também diminuíram.

Assim, a atuação do CIFUT ficou mais restrita a análise de adversários, coleta de dados e produção de vídeos para exibição aos jogadores individualmente e em preleções.

Criado há mais de dez anos, o Centro de Inteligência perdeu diversos profissionais nos últimos anos, sendo três deles para o São Paulo: os analistas Carlos Vargas, Raony Thadeu e Luiz Felipe Batista. Em novembro de 2019, Dênis Lupp, que chefiava o departamento, foi demitido junto com o técnico Fábio Carille.

O atual coordenador do CIFUT é Vitor Misumi. O Corinthians ainda conta com o observador técnico Alysson Marins, que trabalha junto dos demais analistas, mas não faz parte do departamento. Ele é uma espécie de scout, sendo responsável por monitorar o mercado e selecionar atletas. Foi Marins quem indicou a contratação do zagueiro uruguaio Bruno Méndez, após observá-lo no Sul-Americano Sub-20.

A comissão ainda conta com o observador Mauro da Silva, que há mais de uma década está no clube.

Além do CIFUT, na entrevista ao “Bandsports”, Tiago Nunes também apontou a necessidade de melhor utilizar o Lab R9:

– O Corinthians tem um centro de excelência de seu laboratório de biomecânica e de recuperação física que é altamente equipado, mas não vinha sendo utilizado em sua máxima potência – destacou.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui