A transição de Vilson da carreira de jogador de futebol para a função de gerente de futebol do Corinthians foi bastante dolorosa. Literalmente.

Aos 30 anos, o zagueiro acabou o Brasileirão com dúvidas sobre o futuro. Com contrato com o Timão finalizado em 31 de dezembro e sem ter disputado nenhuma partida em 2018, não estava disposto a iniciar o ano num novo clube se não se sentisse capaz de disputar partidas com regularidade.

Com dores constantes na cartilagem do joelho esquerdo, sabia que isso seria muito difícil.

– Vilson tentou voltar a jogar, mas sentia incapacidade. Recuperar uma lesão de cartilagem é muito difícil. Ele poderia até seguir jogando, mas nunca mais estaria 100% pela região da lesão de cartilagem que ele teve – explicou o médico Joaquim Grava, que cuidou do jogador.

Lesão antiga

O problema no joelho de Vilson teve início ainda em 2013, quando ele jogou no Palmeiras

Em 2014, passou por Cruzeiro e Ponte Preta, mas não conseguiu jogar também por conta do joelho. Na ocasião, fez tratamento com Joaquim Grava e usou o CT do Corinthians para se recuperar.

Após um bom ano pela Chapecoense em 2015 – onde conviveu com quase todo o elenco que se acidentou no fim do ano seguinte – , chegou ao Timão em 2016, renovando contrato seis meses depois até o fim de 2018. Ao todo, porém, fez apenas 23 partidas e marcou um gol.

Como jogador, a última participação de Vilson foi num amistoso contra a Ferroviária, em Itaquera, em fevereiro de 2017. Na sequência, passou por duas cirurgias. Em março daquele ano, fez uma artroscopia. Em novembro, um processo de implante de cartilagem. Em 2018, treinou, mas não conseguiu jogar.

– Fizemos um procedimento de enxerto de cartilagem que melhorou bastante o joelho dele, mas não o suficiente para ele. Essa recuperação depende muito da posição também, o zagueiro faz muitos saltos. Ele não estava conseguindo mais. É um cara consciente – completou Grava.

Perfil de liderança

Vilson teve um único episódio de desvio de conduta ao longo das três temporadas que ficou no Corinthians. Em outubro de 2016, durante um treinou, se desentendeu com o jovem Marciel e acertou um soco no rosto do volante. Pediu desculpas, mas levou punição financeira.

O período afastado dos gramados, porém, entre 2017 e 2018, fez com que o jogador crescesse em importância nos bastidores do CT e ganhasse a confiança dos dirigentes para um convite de pós-carreira, feito no fim do ano passado quando Andrés Sanchez optou por tirar Alessandro Nunes do cargo de gerente.

– Ele é diferenciado, inteligente, nos ajudou muito no dia a dia nos últimos anos. E acreditamos que pode nos entregar o que a gente procura. É pelo perfil – disse o diretor Duílio Monteiro Alves.

Para Cássio, por exemplo, Vilson teve importância enorme dentro do Corinthians. No período em que o goleiro teve uma queda técnica e foi sacado do time por Tite em 2016, Vilson chamou o jogador para frequentar a igreja Voz da Verdade, em Alphaville, e ajudou no amadurecimento pessoal e profissional do camisa 12.

– Um cara que sempre foi muito bacana comigo foi o Vilson. Sempre foi muito franco, foi uma das pessoas que me abraçaram. Foi um cara importante e fundamental para a mudança que tive. Hoje vou à igreja e isso me fez mudar o que sou. Não só no futebol. Evoluí como profissional e pessoa. Ele e a esposa me ajudaram. Abraçaram minha mulher e eu. Vilson é um amigo nas horas boas e ruins – disse Cássio ao “Uol” em 2016.

Exemplo também para vários garotos, Vilson emocionou o grupo naquela que seria sua despedida no ano passado na véspera da viagem para o jogo contra o Grêmio, o último de 2018, quando recebeu uma camisa do elenco.

Emotivo, disse que trocaria tudo para ter conseguido jogar um jogo no ano. A comissão e diretoria entenderam o discurso como uma forma de tentar motivar o grupo num jogo que tinha pouca importância para a equipe, que já havia se salvado do risco de rebaixamento uma rodada antes.

Fonte: Globo Esporte

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