Neste 31 de março de 2020, se completam 56 anos desde o Golpe Militar que ocorreu no Brasil em 1964. O Corinthians, por meio de seu perfil oficial, reafirmou o posicionamento do clube e lembrou a histórica Democracia Corinthiana: “Está na nossa história, é o nosso DNA. O Corinthians é o Time do Povo, e é o povo que construiu o time! Sempre estivemos, estamos e estaremos na luta pela manutenção da democracia no Brasil!”.

(Ganhar ou perder, mas sempre com democracia. Foto: Irmo Celso/Placar)

A Ditadura se deu inicio em 1964, quando o Presidente da República, João Goulart teve o poder tomado, e logo assumido por Marechal Castelo Branco. Em meio a cesuras, atos inconstitucionais e perseguições politicas, os militares controlaram e comandaram o país sob alegações de “ameaças comunistas”. Durou até 1985, quando Tancredo Neves é eleito após as famosas ‘Diretas Já’.

 

Democracia Corinthiana

 

Apesar de um ambiente opositor à liberdade, o movimento nasce com o prol de mudar o clube, e com força o suficiente para potencializar a mudança em um país inteiro em crise.

Quando Waldemar Pires chega à presidência do clube, traz consigo o novo gestor de futebol e sociólogo chamado Adilson Monteiro Alves. Quando se somou o sociólogo ao elenco politizado, que contava com Dr Sócrates, Casagrande, Zé Maria, Zenon, e entre outros, se deu o inicio a democracia no clube.

Entre 1982 até o final de 1984, a Democracia Corinthiana. O nome foi veio a partir do publicitário Washington Olivetto. Juca Kfouri e o médico do clube Flavio Gikovate também participaram com relevância do movimento. (Fonte: O Contra-Ataque).

Todos os funcionários, desde o diretor de futebol até o roupeiro, tinham direito a um voto. Votos que eram dados e contados quando a questão era decidir algo de dentro da institução. Fosse questão de contratação importante, até a concentração em grupo de jogadores casados. Ou seja, todas as opiniões eram escutadas e tinham o mesmo valor.

Junto com isso, o Corinthians foi o primeiro clube a utilizar dizes políticos publicitários. “Diretas Já!”/”Eu quero votar no Presidente” estamparam as camisas alvinegras até o brigadeiro Jerônimo Bastos pedir para o clube “moderar”.

Outro levantamento interessante é de que Sócrates e Casagrande foram personalidades futebolísticas que participaram influentemente nos comícios em prol da campanha das Diretas Já, que tinha o objetivo de reinstaurar as votações diretas para presidente.

(imagem extraída do filme “Democracia em Preto e Branco” /O Contra Ataque)

Como resultado dentro de campo, o Corinthains logo de cara alcançou a fase de semifinais do Campeonato Brasileiro e conquistou o Campeonato Paulista em 1982 e 1983, além de quitar todas as dividas do clube.

O Corinthians, time do povo, fundado por operários que queriam praticar um esporte até então elitizado, tem na sua história o movimento politico mais importante dentro de um time de futebol no cenário nacional e de indiscutível importância. Potencializou, alavancou e logo deu reflexo em uma politica doente em um país tão rico. Nessa data tão importante que não deve nunca ser celebrada, mas sim, lembrada.

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