No novo Mundial, Corinthians poderia encarar o Chelsea com Romero no ataque


Como seria a vida do último brasileiro campeão mundial se ele tivesse de esperar quatro anos para enfim poder disputar com os europeus?

Esqueça Guerrero, Emerson Sheik, Paulinho, Danilo, Chicão e até Tite. No novo formato de Mundial de Clubes que a Fifa quer implementar, o Corinthians campeão da Libertadores de 2012 poderia ser representado no Mundial de Clubes por Romero, Marquinhos Gabriel, Camacho e Marlone, com Oswaldo de Oliveira no banco.

Pode parecer loucura, mas não é (tanto assim). A Fifa anunciou, nesta sexta, que vai colocar em prática o novo Mundial de Clubes com 24 equipes, de quatro em quatro anos, para substituir o atual modelo e a Copa das Confederação. A primeira edição será em 2021, em lugar a definir, e a América do Sul terá direito a seis equipes, com critério de escolha dos representantes a ser definido pela Conmebol. E é aí que começa o drama.

Segundo o "GloboEsporte.com", que acompanhou o anúncio em Miami e tem seguido a discussão de perto, a Conmebol está disposta a enviar os campeões da Libertadores de 2017, 2018, 2019 e 2020, com uma disputa política ainda aberta para as duas vagas restantes. Neste cenário, o Grêmio, campeão continental há duas temporadas, teria vaga garantida.

Da conquista em Lanús até hoje, o time gaúcho já perdeu seu maior talento (Arthur), viu o craque do time cair de produção (Luan), trocou algumas vezes de centroavante e hoje sofre para manter a espinha dorsal daquele título. E olha que estamos falando de um dos poucos clubes do Brasil que conta o tempo de casa do seu treinador em anos, e não dias.

O torneio como um todo ainda é uma incógnita, com times europeus se organizando para um possível boicote e uma série de decisões que ainda precisam ser tomadas – inclusive o critério final de escolha da Conmebol. Só que a lógica de enviar um campeão de quatro anos atrás é, desde já, um problema para sul-americanos.

No cenário europeu, não é difícil imaginar que Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Juventus e outras potências vão seguir fortes no curto prazo, ainda que os times não sejam mais aqueles que levantaram a Champions League. Por aqui, ao contrário, a posição de fornecedor de mão de obra reduz o ciclo de poder do futebol natural e praticamente inviabiliza a manutenção de um time campeão por tanto tempo.

O último brasileiro a levantar o Mundial é um exemplo disso. No ano seguinte à conquista, diga-se, o Corinthians dispensava Tite depois de um ano às voltas com maus resultados e iniciava uma reconstrução. É verdade que o clube conquistou dois Brasileiros de lá pra cá e soube se manter no topo, mas o sucesso na Libertadores nunca passou nem perto de ser repetido, com seguidas eliminações nas oitavas.

A conta dos anos até favoreceria o Corinthians campeão da Libertadores. O plano da Fifa é encaixar o novo Mundial sempre um ano antes das Copas, como fazia com a Copa das Confederações. Pelo critério de classificação que a Conmebol parece disposta a adotar, o time de Tite participaria da edição 2013, um ano depois de conquistar a América.

Só que a hipótese de conquistar a Libertadores e ter de esperar quatro anos para enfim brigar pelo mundo é real, vide a situação do Grêmio. E este é, hoje, um período longo demais para se manter um time campeão no continente.

Quatro anos depois de bater o Boca naquela noite de Pacaembu lotado, o Corinthians só tinha Cássio como titular remanescente. Em 2016, ano de entressafra entre os dois títulos brasileiros recentes, o clube sofreu com a troca constante de treinadores e terminou o ano com apostas caras como Marquinhos Gabriel, Marlone e Giovanni Augusto entre os atletas mais utilizados, além do já citado Romero. Dava para bater o Chelsea?

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