Pra ler e se emocionar: a imagem mais Corinthians do século!


Nascido em 1993 e acompanhando futebol desde meados de 98/99, minha primeira camisa de criança era preta: de goleiro ainda com manga comprida na época, daquelas com proteção acolchoada nos braços, quem lembra? Ronaldo Giovanelli. Depois vieram as camisas do bi-brasileiro, da Copa Rio-São Paulo com Liédson e Gil, do Tevez, do Fenômeno e a do Guerrero. São quase 25 anos de Corinthians, pouco eu sei, perto da história do clube, mas com certeza são os anos mais prósperos. De tantas conquistas, derrotas, invasões e reerguidas, reservo este espaço pra descrever a imagem que mais me marcou na vida.

Para os menos fervorosos que talvez não reconheçam, essa foto foi tirada no “Meu, no Seu, no Nosso Pacaembu “ naquela vitória de 1×0 contra o Vasco nas quartas de final da Libertadores 2012. Como diria o mais famoso escritor bretão “Há mais coisas entre o céu e a terra do que possa imaginar nossa vã filosofia”. Neste dia essa era a máxima, esse era o clima correndo na veia de cada corinthiano.

Não vou me estender aqui para explicar o jogo inteiro, apenas o exato momento da foto. Todos sabem o quão difícil foi a partida (se você era jovem e não se lembra, peça para teu pai, teu irmão mais velho te contar as histórias). Cássio já havia feito a defesa do título, Alessandro tinha sido xingado e execrado, bola na trave do Sheik e Tite expulso. O técnico, aliás que fez algo que nunca tinha visto na vida: expulso de campo por reclamação, saiu e foi ver o jogo da arquibancada, junto com todos os outros torcedores – nada de camarote – e ainda passava instruções pelo alambrado para os reservas que iam entrar.

Era uma noite especial, definitivamente. Veio o gol, a explosão, o auge da adrenalina. Tinha que ser dele, é claro! O carregador de piano, o craque desmerecido por muitos, o ajudante de pedreiro Paulinho. Alguém melhor que ele pra representar o time do povo? Na comemoração ele corre, desabafa, tenta tirar a camisa e não consegue e vai pro alambrado. Pouco se importando com o cartão amarelo, sobre na grade pra ficar um pouco mais perto da Fiel. Eis que neste momento surge um torcedor pra te fazer companhia, Paulinho. Enquanto você levanta os punhos cerrados como fazia o Dr. Sócrates, o cara sobe junto, sozinho, mas com 30 milhões no coração e abraça o ídolo. O faz por todos nós corinthianos. Que imagem, meus amigos!

Paulinho abraçando o torcedor. Gratidão mútua.

Tenho certeza que até o Tite sentiu inveja deste torcedor. Não tenho ideia do que ele disse ao Paulinho, na verdade não consigo nem imaginar o que eu mesmo diria. Só sei que não existe nada mais Corinthians do que o jogador humilde e o torcedor se abraçando, como se um agradecesse o outro por todos os momentos vividos até ali. É por isso que a imagem é tão simbólica e representa tão bem o clube. Aquele foi O JOGO da Copa Libertadores, depois disso sabíamos que não iríamos mais perder.

O título mais libertador dos 102 anos nossa história até ali reservou esse momento ímpar e, sinceramente, valeu a pena cada segundo de espera. Que essa imagem não se perca nunca, que fique gravada em memoriais do clube, em tatuagens, no pôster do meu quarto e até nos outdoors da cidade se possível. Obrigado Paulinho, obrigado torcedor!

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